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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

TRANSTORNOS ALIMENTARES

TRANSTORNOS ALIMENTARES
·         Histórico
o   A primeira descrição médica: 1689 pelo inglês Norton, que a designou como "consumpção nervosa".
o   No século XIX: O francês Lasègue e o inglês Gull a identificaram claramente como entidade clínica. Lasègue acentuou a causa psiquiátrica da doença.
o   Em 1873 era criado o termo Anorexia Nervosa.
o   No século XX:  A partir dos anos 70 a investigação e a clínica da anorexia nervosa sofreram impulsos decisivos, devido aos contributos de três investigadores: Hilde Bruch, Arthur Crisp e Gerald Russell. Bruch chama pela primeira vez atenção para a perturbação da imagem corporal de que sofrem estes doentes.
o   Crisp definiu a anorexia nervosa como uma "fobia do peso", devido aos receio mórbido que estes doentes têm de engordar, relacionando-a com as dificuldades psicológicas de encarar as transformações da puberdade  e da adolescência.
o   Russell em 1979 descreveu a bulimia como uma nova doença derivada da anorexia. A palavra bulimia tem uma raiz grega que significa "fome de boi".
o   Mais tarde verificou-se que a bulimia nervosa também surgia em pessoas que registavam um peso normal.
·         Conceitos  DSM-IV
o   Anorexia  nervosa: (falta de apetite): transtorno em que as pessoas recusam em manter  um peso mínimo normal, temem aumentar de peso e de forma significativa, interpretam seu corpo e sua forma de maneira equivocada.
o   Ela se caracteriza por uma alteração profunda da imagem corporal e pela busca incansável de ser esbelta, até o ponto de inanição.
o   Bulimia  nervosa: compulsão alimentar combinada com formas inapropriadas *de tentar interromper o aumento do peso.


















·         Epidemiologia
ANOREXIA
·         -Prevalência de 0,5 a 1,0 % população
·         -Mulheres  10/20: 1  Homens
·         -Idade  mais comum 14-18 anos
·         -Mulheres com alguns sintomas , mas que não satisfazem  os critérios diagnósticos   5%.
·         -Mais freqüente hoje que no passado.
·         -Profissões que necessitam de forma esbelta (bailarina e modelo)
BULIMIA
·         -  1% na população
·         -  Mulheres  10: 1 Homens.
·         -Tendem a acontecer mais tarde na
·         adolescência que a AN.
·         -Variam de 1 a 3 % de mulheres jovem
·         Algumas vezes tem historia de obesidade.

·         Caracteristicas Clinicas
o   Anorexia:
§  -Perda de apetite é rara. Estão constantemente pensando em comida.
§  -Restrição da alimentação.
§  -Episódios de comer compulsivamente ocorre em segredo e a noite.
§  -Nas refeições tendem a esconder os alimentos.
§  -Negam seus comportamentos alimentares e / ou recusam a discutir.
§  -Redução marcante do interesse por sexo.
§  -Medo de engordar intenso e irracional.
§  -Perda excessiva de peso.
§  -Prática excessiva de exercício físico.
§  -Os períodos menstruais tornam-se irregulares ou mesmo inexistentes.
§  -Comportamento obsessivo-compulsivo, depressão e ansiedade podem estar associados.

o   Bulimia:
§  -Medo de engordar.
§  -Episódios recorrentes de compulsão alimentar.
§  -Sentimento de falta de controle  sobre o comer.
§  -Faz uso excessivo de métodos* para evitar o aumento de peso.
§  -Depressão (angustia pós-compulsão) freqüentemente segue-se ao vômito.
§  -Alimentos são ingeridos de forma secreta  e rápida, às vezes sem mastigá-los.
§  -Peso normal.(na maioria).
§  -A maioria é sexualmente ativa.
§  -Associada as vezes com transtorno de humor,  personalidade e ansiedade .
§  -Os períodos menstruais tornam-se irregulares.
·         OBS: As anoréxicas e as bulimicas sofrem do medo de engordar, mas as bulimicas, normalmente conseguem manter o seu peso normal.
ETIOLOGIA
Multifatorial
ANOREXIA:
BULIMIA:
BIOLÓGICOS
Endorfinas contribuem para negação da fome . A inanição leva a disfunção no eixo hipotâlamo-hipófiseário.
Alterações  (serotonina e  noradrenalina) levam  ao ato de comer compulsivamente.
SOCIAIS *
Ênfase que a sociedade da à forma esbelta e ao exercício. Pcts tem relação familiar próxima mas perturbada.
Como na AN , pcts tendem a  responder às pressões sociais para serem magros. Famílias costumam ser menos unidas.
PSICOLOGICOS
Falta de consciência de si próprios e de autonomia.
Experimentam seus corpos como algo sob o controle dos pais de modo que a  auto-inanição pode ser um esforço para obter validação como uma pessoa única e especial. Inconsciente, pode significar interromper o crescimento desse objeto interno intrusivo.
Dificuldades com exigências da adolescência. São mais extrovertidos que pcts com AN.
O esforço pela separação materna é encenado na ambivalência relacionada aos alimentos; o comer significa desejo de fusão com a mãe e o regurgitar desejo de separação.


·         Critérios Diagnósticos
·         Anorexia Nervosa  F50.0 do DSM-IV 
o   Critério A.  
§  Recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).  
o   Critério B.  
§  Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal.    
o   Critério C.  
§  Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre à auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.    
o   Critério D.  
§  Nas mulheres pós-menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por ex., estrógeno.)    
o   Especificar tipo:
§  Tipo Restritivo: durante o episódio atual de AN, o indivíduo não se envolveu regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ).
§  Tipo Compulsão Periódica/Purgativo: (50%) Durante o episódio atual de AN, o indivíduo envolveu-se regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto é, auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ).
·         Bulimia Nervosa   F50.2   DSM-IV 
o   Critério A.
§  Episódios recorrentes de compulsão periódica. Um episódio de compulsão periódica é caracterizado por ambos os seguintes aspectos:
·         1. ingestão, em um período limitado de tempo (por ex., dentro de um período de 2 horas) de uma quantidade de alimentos maior do que a maioria das pessoas consumiria durante um período e circunstância similares.
·         2. um sentimento de falta de controle sobre o comportamento alimentar durante o episódio (incapacidade de parar de comer ou de controlar o que ou quanto está comendo)
o    Critério B.
§  Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de peso, como auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes, diuréticos, jejuns ou exercícios excessivos.
o   Critério C.
§  A compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados ocorrem, em média, pelo menos  2 vezes/semana, por 3 meses.
o   Critério D.
§  A auto-avaliação é  indevidamente influenciada pela forma e peso do corpo.
o   Critério E.
§  O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de Anorexia Nervosa.
o   Especificar tipo: 
§  Tipo Purgativo: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o indivíduo envolveu-se regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos. 
§  Tipo Sem Purgação: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o indivíduo usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos.
·         Transtorno Alimentar Sem Outra Especificação DSM-IV
o   Que não satisfazem critérios para um Transtorno Alimentar específico
§  1. Mulheres para as quais são satisfeitos todos os critérios para AN, exceto que as menstruações são regulares
§  2. São satisfeitos todos os critérios para AN, exceto que, apesar de uma perda de peso significativa, o peso atual do indivíduo está na faixa normal.
§  3. São satisfeitos todos os critérios para BN, exceto que a compulsão periódica e os mecanismos compensatórios inadequados ocorrem menos de 2 vezes/semana ou por menos de 3 meses.
§  4. Uso regular de um comportamento compensatório inadequado por um indivíduo de peso corporal normal, após consumir pequenas quantidades de alimento.
§  5. Mastigar e cuspir repetidamente, sem engolir, grandes quantidades de alimentos
§  6. Transtorno de compulsão periódica: episódios recorrentes de compulsão periódica na ausência do uso regular de comportamentos compensatórios inadequados, característico de Bulimia Nervosa.
·         Diagnósticos Diferenciais
o   Anorexia: É difícil realizar pela negação dos sintomas, segredo dos rituais alimentares bizarros e pela resistência a procurar tratamento.
§  Transtornos mentais: ( tumor cerebral )
§  Transtornos depressivos: Pcts tem diminuição do apetite. Na anorexia pct tem apetite, só nos estágios avançados é que perdem a fome.
§  Transtorno de somatização: perda de peso não é tão grave, nem expressa medo de engordar. Amenorréia é incomum.
§  Esquizofrênicos: delírios sobre alimentos quase nunca estão relacionados ao valor calórico. É mais fácil acharem que os alimentos estão envenenados. Não tem medo de engordar
§  Bulimia nervosa: pcts mantém seu peso normal e raramente perdem 15% do seu peso corporal.
o   Bulimia:
§  Doença neurológica,
§  tumores no SNC,
§  Síndrome de Kluver-Bucy  (agnosia visual, lamber e morder compulsivamente e modificações do habito  alimentar, em especial hiperfagia). Mas é rara
§  Síndrome de Kleine-Levin (hipersonia periódica durando 2 a 3 semanas e hiperfagia)
§  Transtorno Borderline por vezes tem compulsões alimentares.
·         Tratamento
o   O tratamento-padrão deve ser MULTIDISCIPLINAR
o   (Lock et al., 2001).Os melhores resultados parecem ocorrer naqueles casos de intervenção precoce durante a adolescência, evitando formas crônicas e imutáveis das doenças alimentares.
o   (Lask e Bryant-Waugh, 2000).O sucesso de um programa de atendimento integrado e completo depende de uma equipe multiprofissional e do emprego simultâneo de várias estratégias.
o    (Szmukler et al., 1995). Enfatizam que nenhuma modalidade de tratamento pode ser indicada como única.
o   PROTAD(Programa de Atendimento, Ensino e Pesquisa em Transtornos Alimentares na Infância e na Adolescência - Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares - (HC/FMUSP), em funcionamento desde novembro de 2001.
o   Representa a primeira experiência brasileira de um serviço multidisciplinar voltado para o tratamento especializado de adolescentes com transtornos alimentares.
o   Atendimento familiar
§  Um dado é colocado como único e inquestionável:
§  Existe uma maior eficácia da terapia familiar para pacientes jovens no início da doença dentre todas as outras abordagens terapêuticas (Kaplan, 2002).
§  A terapia familiar, assim como o aconselhamento para pais, constituem o método mais eficaz no tratamento dos pacientes dessa faixa etária (Eisler et al., 2000; Geist et al., 2000; Robin et al., 2001).
§  No PROTAD, é realizado através de intervenções:
·         As entrevistas familiares são feitas por terapeuta familiar de forma individualizada, com o objetivo de diagnóstico familiar  (relação mãe-filho) e para manejos pontuais, quando necessários. Visa também oferecer informações sobre os transtornos alimentares, o tratamento e a adolescência.
o   Atendimento cognitivo-comportamental
§  As alterações na cognição, levando a sentimentos de angústia e resultando em comportamento anormal, são o foco dos transtornos alimentares (Garfinkel e Garner, 1982).
§  A perda de peso pode ser vista como alívio para a angústia e inquietação da adolescência, podendo constituir uma tentativa de controle sobre os outros e sobre si mesmo. No tratamento com adolescentes, o método cognitivo-comportamental ajuda a fazer a ligação entre pensamentos e sentimentos e facilita a expressão das emoções (White e Freeman, 2003).
§  No PROTAD, O terapeuta cognitivo-comportamental, reúne pacientes com diferentes diagnósticos alimentares. Observam que o peso não é o problema real, mas que outros problemas mais importantes estão dirigindo e mantendo o transtorno alimentar.
o   Atendimento nutricional
§  A "terapia nutricional" deve ser um processo integrado, no qual o nutricionista e a equipe trabalham juntos para modificar os comportamentos relacionados ao peso e à alimentação (Ednos, 1984; Ednos, 2001).
§  No PROTAD,  Feito por nutricionista, a qual avalia o peso e a alimentação, passando conceitos sobre  alimentação , a fim de desmistificar  mitos e crenças. A realimentação é feita  gradativamente envolvendo diretamente o paciente e seus responsáveis.
o   Atendimento psicodinâmico
§  A inclusão do tratamento psicodinâmico tem intuito de ajudar o paciente com transtorno alimentar a entender o significado dos sintomas manifestados (Zerbe, 2001).
§  No PROTAD, são orientados por psicanalistas e co-orientados por psicólogos, e tem por objetivo que o paciente entenda o significado dos sintomas.
o   Atendimento médico
§  Abordagens cognitivo-comportamentais adequadas para jovens com transtornos alimentares vêm sendo desenvolvidas progressivamente. Uma das mais consagradas é o diário alimentar (Hawton, 1989).
§  Outro aspecto relevante do atendimento psiquiátrico diz respeito às medicações; os antidepressivos são as que possuem maior aplicabilidade (Casper, 2002)
§  Na BN, o emprego desses fármacos visa a diminuir tanto compulsões e vômitos muito intensos e resistentes à abordagem psicoterápica, quanto os quadros psiquiátricos associados. A fluoxetina tem sido a medicação de escolha (Kotler e Wash, 2000).
§  No PROTAD, o diário alimentar integra todos os atendimentos.
§  A consulta médica oportuniza a identificação e manejo dos sintomas através de técnicas cognitivo-comportamentais de forma individualizada e a avaliação da necessidade de medicação. No tratamento da AN, o enfoque medicamentoso, mais freqüentemente, dá-se depois do peso restabelecido.
o   Medicações
ANOREXIA
BULIMIA
-Não identificaram qualquer medicação que consiga melhora definitiva dos sintomas.
-Amitriptilina traz algum benefício.
-Ensaios com fluoxetina levaram a alguns relatos de aumento de peso.
-Alguns relatos apóiam a utilização de ciproeptadina (anti-histamínico) e anti-serotonérgico para pct do tipo restritivo.
-Pcts com transtorno depressivo coexistente, esta condição deve ser tratada.
-Antidepressivos tem se mostrado úteis.(fluoxetina). Doses elevadas 60 a 80 mg/dia. Eles reduzem compulsão e a purgação.
-Imipramina e IMAOs tem sido úteis com as mesmas doses usadas para transtornos depressivos.
-       Carbamazepina e Lítio não tem mostrado resultados significativos.
-       Utilização isolada de antidepressivos resulta em uma taxa de 22% de abstinência dos episódios de compulsão e purgação.














·         Curso e Prognóstico
ANOREXIA
BULIMIA
-O curso varia bastante.
 -O tipo restritivo é menos propenso á           recuperação.
-Em geral o prognóstico não é bom.
-Taxa de mortalidade de 5 a 18 %.
-Indicadores de uma boa evolução: admissão da fome, melhor auto-estima e atenuação da negação e da imaturidade.
-       O curso a longo prazo pouco se sabe.
-       A longo prazo com tratamento tem 50% de melhora.
-       Em alguns casos não tratados, ocorre remissão espontânea em 1 a 2 anos.
-       Tem prognóstico melhor que a AN e vai depender das seqüelas da purgação.

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