TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR
TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR
· Definição
o Humor: estado emocional interno e constante;
o Pessoas normais têm ampla faixa de humores e afetos, tendo controle sobre eles;
o Nos transtornos do humor: perda do senso de controle;
o Episódios maníacos e depressivos: Transtorno Bipolar I.
· Quadro Clínico
o Episódios Maníacos:
§ Humor elevado: irritável, expansividade, fuga de idéias, diminuição da necessidade de sono, aumento da auto-estima e idéias grandiosas;
§ Álcool em excesso, uso excessivo do telefone, jogo patológico, tendência a despir-se em público, roupas com cores berrantes, desatenção a pequenos detalhes.
o Episódios Depressivos:
§ Humor deprimido: perda de interesse, “dor emocional lacinante”, diferente da tristeza normal;
§ Diminuição da energia, dificuldade em completar tarefas;
§ Semelhantes aos episódios depressivos do Transtorno Depressivo.
· Epidemiologia
o Prevalência = 1% (~esquizofrenia);
o 1H:1M;
o Idade de início: infância (5-6 anos) aos 50 anos; idade média de 30 anos (se inicia mais cedo que o Transtorno Depressivo);
o Não há prevalência quanto a raça;
o Mais comum em divorciados e solteiros;
o Incidência superior a média em grupos socioeconômicos superiores (práticas diagnósticas tendencionais);
o Mais comum em pacientes de escolaridade incompleta.
· Etiologia
o Fatores Biológicos - desregulagens heterogêneas de aminas biológicas:
§ Noradrenalina: diminuição da sensibilidade dos receptores β adrenérgicos pós-sinápticos = má resposta clínica a antidepressivos;
§ Serotonina: diminuição dos níveis de serotonina pode precipitar a depressão;
§ Dopamina: sua atividade é diminuída na depressão e aumentada na mania.
§ GABA e Vasopressina têm implicância na fisiopatologia dos transtornos do humor;
o Envolvimento de patologias do sistema límbico, gânglios basais e hipotálamo (sintomas depressivos);
o Anormalidades do sono:
§ Na depressão – insônia, despertares múltiplos, hipersonia
§ Na mania – necessidade de sono diminuído
o Fatores Causais
§ Fatores psicossociais:
· Estresse: alterações biológicas no cérebro após primeiro episódio;
· Perda de pessoas próximas, do emprego;
· Frustração: sentimento de impotência/desistência
§ Fatores Genéticos:
· Parentes de 1º grau estão 8 a 18 x mais propensos a terem esse transtorno;
· 50% dos pacientes têm pelo menos 1 dos pais com algum transtorno do humor;
· Se 1 dos pais tem Transtorno Bipolar I = 25% de chance de filhos com algum transtorno do humor;
· 2 pais = 50% a 75%
· Diagnóstico
o Critérios para episódio maníaco:
§ A. Período distinto do humor expansivo anormal e elevado (1 semana);
§ B. Persistência de 3 ou + dos seguintes sintomas:
· 1 – auto-estima inflada/grandiosidade
· 2 – diminuição da necessidade do sono
· 3 – mais falante que o habitual
· 4 – fuga de idéias
· 5 – distração
· 6 – agitação psicomotora
· 7 – envolvimento excessivo com atividades com potencial para consequências dolorosas (surtos de compras, investimentos financeiros);
§ C. Comprometimento da função ocupacional/social;
§ D. Sintomas não devem-se a efeitos fisiológicos de tratamento antidepressivo.
o Transtorno Bipolar I, episódio maníaco único:
§ Deve ser o 1º episódio maníaco;
§ Ausência de qualquer episódio depressivo anterior;
§ Não está sobreposto a esquizofrenia, transtorno delirante, etc.
o Transtorno Bipolar I, recorrente:
§ 2 episódios são considerados distintos se separados por 2 meses sem sintomas de mania ou hipomania;
o Episódios Mistos:
§ Estados depressivos e maníacos de rápida alternância;
§ Paciente de Transt. Bipolar I em que todos os critérios para episódios depressivos e maníacos são reunidos ao mesmo tempo.
· Exame do Estado Mental
o Episódios Maníacos:
§ Eufóricos, loquazes, divertidos e hiperativos;
§ Não podem ser intrometidos quando falam, linguagem perturbada;
§ Orientação e memória preservadas;
§ 75% são agressivos ou ameaçadores;
§ Delírio presente em 75% dos pacientes (grande riqueza, habilidades ou poderes);
§ Pensamento auto-confiante e auto-engrandecimento;
§ Podem se encontrar psicóticos e desorganizados = contenção física e tranquilizantes IM;
· Diagnóstico Diferencial
o Sintomas maníacos são distintivos.
§ Causas médicas e neurológicas: epilepsia, Coréia de Huntington, pós-parto, Esclerose Múltipla, trauma, Doença de Cushing, transtorno da tireóide, AIDS, LES, uremia, deficiências vitamínicas;
§ Drogas associadas a episódios maníacos: anfetamina, captopril, cocaína, corticosteróides, levodopa, entre outras.
o Fase Depressiva:
§ Transtorno Depressivo Maior.
o Fase Maníaca:
§ Transt. Bipolar II (episódios depressivos + ep. hipomaníacos – não satisfazem os critérios); transtorno ciclotímico;
§ Transtornos de personalidade, narcisista e anti-social;
§ Esquizofrenia: diferencia-se pelo início rápido e percebido como alteração do comportamento, além da história familiar.
· Tratamento
o Tratamento não só para sintomas imediatos = bem-estar futuro;
o Reduzir número e severidade dos estressores da vida (evitar recaídas);
o Hospitalização: necessidade de procedimentos diagnósticos, risco de suicídio/homicídio, capacidade reduzida para alimentação, abrigo e vestuário.
o Farmacoterapia: Lítio + anticonvulsivantes (carbamazepina e valproato). Profilaxia dos episódios maníacos e depressivos = tratamento de 1ª linha no Transtorno Bipolar I;
o Início do tratamento: haloperidol, clonazepam e lorazepam (suspensos após fase inicial) .
· Prognóstico
o 40% a 50% podem ter 2º episódio em 2 anos;
o 40% tem transtorno crônico
o 50% a 60% adiquirem controle de seus sintomas com uso profilático de Lítio;
o Prognóstico ruim: fraco estado ocupacional, dependência do álcool, aspectos psicóticos e sexo masculino;
o Prognóstico bom: curta duração dos episódios maníacos, início tardio, poucos pensamentos suicidas.
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